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limbos verdes

limbos verdes

22 Mar, 2021

pelos trilhos

montejunto (1)

 

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Segundo a minha mãe, fui à Serra de Montejunto com ela e com o meu pai  nos meus primeiros anos de vida. Não tenho qualquer memória desse passeio. Foi, por isso,  como uma primeira vez. 
Mal cheguei, e como fui sozinho, segui um trilho identificado. Gosto de sair dos percursos habituais e de ir atrás de alguma planta que me chame a atenção. Mas não quis arriscar numa primeira visita, num espaço que me pareceu grande e que desconheço completamente. 
Vi logo várias 'orquídeas gigantes' ainda em floração (perfeita).  A certa altura, saí desse trilho e comecei a descer um outro, muito mais inclinado, mais 'hard', como diziam algumas placas de madeira. Só quando cheguei lá a baixo percebi que teria de subir tudo outra vez, e que o sentido da palavra 'hard' seria experienciado na subida e não tanto na descida. 

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Gostei bastante.
Nessa descida fui identificando uma série de plantas, várias que não tenho aqui por perto. E faz sentido, num local com uma altitude superior a 500 m e geologicamente rico em rocha calcária tem uma vegetação particular.  
Sentir os aromas das diversas florações, algumas abundantes. Foi uma experiência incrível que recomendo, principalmente neste período primaveril. Vou repetir nos próximos meses, estou certo. Até porque a vegetação e as flores vão mudando ao longo do tempo. Portanto, será sempre  uma experiência diferente. Ao descer o trilho 'hard' (desculpem-me mas não registei o nome oficial do trilho) atravessar a zona dos alecrins (Rosmarinus officinalis) e das pascoinhas (Coronilla valentina,) foi  uma experiência riquíssima do ponto de vista sensorial. Os azuis e os amarelos das flores, os aromas, ... com uma vista deslumbrante a acompanhar. Maravilhoso! 

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1.Himantoglossum robertianum
2. Anemone palmata  (brancas e amarelas, por aqui só têm crescido amarelas)
3. Raphanus raphanistrum

4. As campainhas ibéricas, Hyacinthoides hispanica 

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5. Euphorbia

6. Pulicaria
7. Bellis perennis

8. Cytisus striatus ( a giesteira das serras)

9. Narcissus bulbocodium 

10. Romulea bulbocodium

11. Peucedanum oreoselinum

12. Fritillaria lusitanica

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Bocas de lobo, alecrins, anémonas, os pequenos mas brilhantes botões d' ouro, as pascoinhas e margaridas. 

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Quando cheguei lá abaixo, ao final deste trilho, andei alguns metros até encontrar o trilho que seguiria para voltar para cima. Muito íngreme. É importante levar calçado apropriado. Facilita bastante a vida. Cheguei a meio do percurso bastante ofegante. Decidi sentar-me numa pedra,  beber água e contemplar a paisagem. Quando olho para os lados (esquerdo primeiro e direito depois ) vejo uma Ophrys fusca (já a secar) e um sedum . Sorri e decidi continuar. Encontro então imensas orquídeas silvestres. 

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13.Orchis mascula (primeira vez que as vi) 
14. Orchis  anthropophora
15. Orchis italica 

16. Cephalanthera longifolia

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(continua)

21 Mar, 2021

dos reflexos

e do que se reflete

 

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Ophrys speculum subsp. lusitanica 

Orquídea-espelho 

Ontem vi pela primeira vez esta espécie do género Ophrys, relativamente perto de casa. Um único pé, numa zona muito próxima onde crescem Ophrys apifera. 

Esta flor 'copia' a forma de uma vespa - Dasyscolia ciliata - para ser polinizada. 

Este ano está a ser muito especial. sem dúvida. E eu convencido que tinha andado muito atento às orquídeas silvestres, nos anos anteriores. Afinal... 

 

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" Para um ser séssil, conhecer o mundo é coincidente com a variação da sua própria forma - uma metamorfose provocada pelo exterior. É o que dá pelo nome sexo: a forma suprema da sensibilidade, a que permite conceber o outro no mesmo momento em que ele modifica o nosso modo de ser e nos obriga a ir, a mudar, a tornarmo-nos outro. (...)

A flor é, desde logo, um atractor. em vez de se dirigir para o mundo, atrai o mundo a si. "

E. Coccia, A vida das plantas 

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[das coincidências: um dia antes de a ter visto, escrevi um texto pessoal/carta  -mas não com letras suculentas, como   brinquei aqui  - em que referi várias coisas que alguém me transmitiu, inconscientemente, estou certo, precisamente nestes termos: como um reflexo, e no dia seguinte encontro a orquídea espelho.isto está tudo ligado, de facto. ] 

 

 

 

 

20 Mar, 2021

da mistura

 

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Ontem foi dia de ir à Serra de Montejunto e de ver mais algumas orquídeas silvestres. Partilharei imagens desse passeio daqui a uns dias.
Mas foi perto de casa que encontrei este híbrido - três pés. Habitualmente chamado de  Orchis x bivonae, resulta 'da mistura' entre Orchis italica e Orchis  anthropophora - imagem seguinte. 

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Mais um momento de contentamento, este encontro com esta planta. Andei alguns metros e vi o sol despedir-se em frente deste zambujeiro solitário, com diversas andorinhas a planar à sua volta. Está tudo alinhado. :) 

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18 Mar, 2021

última semana

 

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Há cada vez mais flores abertas, prontas para se misturarem e contribuirem para a riqueza do planeta. E da nossa.  O que torna a minha vida mais difícil, a selecionar o que devo ou não mostrar. Este post ficou muito longo. Vou tentar ajustar isto em breve. Sorry. 

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1. Cephalanthera longifolia cresceu ao lado destes 'degraus' , lá em cima à direita. Tenho encontrado esta orquídea mais vezes este ano que no anterior. Aliás, chamei-a de orquídea tímida neste post, e ela quis contrariar-me e decidiu aparecer (quase) por todo o lado, neste 2021. :) 

 

2. A esteva branca: Cistus salviifolius

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3. A esteva cor de rosa - Cistus crispus conhecida por Roselha. 

4. Dente de leão. 
5. Vicia sativa

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6. A Lonicera - madressilva- e o seu perfume estao aí de novo
7. Saxifraga granulata

8. Medicago arabica

9. Centranthus calcitrapae , primeiro com visita e depois sem.

10. Geranium dissectum

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11. Hypericum perforatum

12. Pistacia lentiscus

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13. Crataegus monogyna
Estão cheias destas pequenas flores perfumadas ( brancas ou rosadas, agrupadas em inflorescências).

A floração, intensa: de fevereiro a maio.

Em Inglaterra é conhecida como Maytree, por a floração ocorrer essencialmente em Maio.

" No passado, o pilriteiro chegou a ser considerada uma planta infernal, pelos seus frutos vermelhos. No tempo da Grécia antiga e mesmo em Roma, o pilriteiro era uma planta proíbida dentro das casas, porque se acreditava que propiciava Artemis, uma deusa contrária às uniões monogâmicas e aos seus frutos. Por isso nos casamentos levavam-se cinco tochas feitas de madeira de pilriteiro. E anualmente os casais ofereciam ramos de pilriteiro floridos a Maia. Esta oferenda acontecia no mês de maio, mês da purificação geral. 

O pilriteiro foi posteriormente resgatado pelo cristianismo: a coroa de espinhos de Cristo teria sido elaborada com esta planta. E por isso, de árvore maldita passou a protetora, sendo ainda colocada em alguns locais estratégicos das casas para afastar os maus espíritos, mas sempre no exterior, não vá Artemis tecê-las… 🙂" 

O fruto, carnudo, parece uma pequena maçã. Aparecem em julho e amadurecem no outono.

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14. Arabis hirsuta

15. Centaurea 

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Em relação às restantes orquídeas silvestres hei-de fazer post em breve com uma actualização dos vários géneros e espécies em floração neste momento. 

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14 Mar, 2021

a arruda

e as várias visitas

 

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Ruta chalepensis 

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Origem: região mediterrânica 

Gosta de locais secos, cresce geralmente em locais com pedras, um pouco por todo o país. Esta espécie, em particular, desenvolve-se muito no centro. 

Planta com aroma muito forte, é utilizada nos jardins e hortas como repelente de pragas, persistindo também uma tradição ancestral que atribui à arruda a capacidade de repelir mau olhado e maus espíritos. 

É subarbustiva de pequeno porte, folhas alternas bi ou tripenatissectas, com os segmentos de última ordem lineares a abobados. 
Flores bracteadas, dispostas em cimeiras corimbiformes, brácteas e sépalas granduloso-puberulentas, pétalas acapeladas, dentadas ou mais raramente inteiras, ciliadas, sendo de cílios mais compridos na subespécie angustifolia, fruto cápsula quadri ou pentalobada, deiscente e de lobos acuminados. Outra diferença entre as duas é a dimensão das brácteas dos ramos das inflorescências que são maiores na subespécie chalepensis.

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Quando estão cheias de flores, como agora, atraem muitas abelhas e outros insetos, como moscas, por exemplo. 

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Nas imagens abaixo a lagarta da arruda -Papilio machaon. Tem cor verde e riscas anelares com manchas laranja e pretas. 

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Aqui neste curto vídeo, depois da transformação, a borboleta-cauda-de-andorinha - Papilio machaon - que avistei em 2020, nas flores do alecrim prostrado que tenho nas traseiras de casa, a poucos metros da arruda, onde fotografei a lagarta.