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limbos verdes

limbos verdes

15 Fev, 2021

Ophrys fusca

 

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Regressei ao local onde encontrei, pela primeira vez, as  Ophrys fusca, munido da lente macro. Não sei precisar mas demorei vários minutos para perceber onde estavam. Eu, que não sou um entusiasta que falemos com as plantas, dei por mim a chamar por elas - faz-me mais sentido que tentemos ouvi-las, entende-las, antes de tudo. A certo momento, estava pronto a desistir - já convencido que teriam sido comidas por alguma ovelha, ou pisadas - até que, finalmente, consegui encontrá-las. São de facto muito pequenas e entre tantos narcisos e anémonas em floração, não é fácil distingui-las.

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"As flores das Orquídeas desenvolveram complexos sistemas para atrair os insectos que as polinizam. É também neles que reside a maior originalidade da planta. Entre todas as estratégias que as Orquídeas idealizaram para atrair os insectos, a natureza criou, no Género Ophrys, um dos sistemas mais engenhosos e extraordinários de fecundação. Com os labelos, imitam a forma, as cores, os desenhos, as pilosidades e o aspecto das fêmeas das distintas espécies de vespas, abelhas ou besouros, produzindo, inclusivamente, feromonas sexuais dessas determinadas fêmeas de insectos (aromas de atração sexual específicos de cada espécie). Atraídos por tão irresistíveis encantos, os machos vêm pousar-se no labelo e, nas suas tentativas de pseudo- cópula, tocarão nos corpúsculos pegajosos (polinídias), que lhe ficarão colados ao corpo. Estes serão transportados para a superfície estigmática da flor seguinte que visita, que enganará, novamente, o “pretendente”, conseguindo, assim, a sua fertilização. Este assombroso e exclusivo sistema no reino vegetal, não tem outra finalidade senão a de atrair os machos desses insectos, que a confundem com a fêmea da mesma espécie. Noutras Orquídeas, os insectos serão atraídos pelo néctar que está armazenado no “esporão”."

Alfredo Mendes Franco

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Ophrys fusca subsp. fusca

'moscardo-maior'


A designação da espécie - fusca - significa escura.
Este grupo tem muitas sub-espécies ou variedades presentes no nosso país.

Há quem a considere Ophrys  pintoi - uma sub espécie - devido à dimensão da planta - tem entre 5 a 7cm apenas-  ao numero das flores, porque entra em floração mais cedo e a baixa altitude onde se desenvolve. 
Tem dois ou três pseudo-tubérculos sub-globosos, normalmente, sésseis, o caule é ereto, tem quatro a seis folhas basais em roseta, lanceoladas. Sépalas ovais, côncavas, glabras e arqueadas para a frente, tom verde, sendo que a central forma um boné ou capuz sobre o ginostémio. Pétalas pequenas, eretas, com os bordos, às vezes, ligeiramente ondulados, da mesma cor que as sépalas ou verde pardo tendo, por vezes uma banda longitudinal castanha escura. É uma das características variáveis nas variedades que se encontram neste território. Só pelas pétalas pode-se constatar que estamos em presença de sub-espécies ou variedades diferentes. Labelo trilobado, ligeiramente côncavo, castanho escuro quase preto. Todo o contorno do labelo apresenta, normalmente, uma banda estreita de cor amarelo-esverdeada. Lóbulo médio aveludado, com pilosidade curta e densa. A mácula basal apresenta duas zonas ovaladas, simétricas, lisas, brilhantes, de cor azul-acinzentada, com ornamentação variável. Na base apresenta duas bossas separados por uma garganta profunda em V. Lóbulos laterais pequenos, situados no mesmo plano que o lóbulo médio. A superfície da cavidade estigmática é geralmente verde-amarelada ou verde- esbranquiçada. Polinídeas amarelas. O ovário é não torcionado, cilíndrico e de cor verde.

Fonte: Orquideas silvestres do sul de Portugal, Alfredo Franco

 

Ainda sobre orquideas silvestres: aqui e aqui.

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(Comparem dimensão desta variante com a altura do caule e cápsula do narciso, ou a dimensão da flor com o meu dedo. Na última fotografia: mais flores a caminho! :) ) 

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14 Fev, 2021

gotas (2)

entre o céu e a terra

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' A origem do nosso mundo não está num acontecimento, infinitamente distante no tempo e no espaço, a milhões de anos-luz  de nós (...) Ela está aqui. Agora. A origem do mundo é sazonal, rítmica, caduca como tudo o que existe. Nem substancia nem fundamento, não se encontra mais no solo  do que no céu, mas a meia distancia entre um e outro.'

E. Coccia

 

14 Fev, 2021

o céu em nós

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"Afirmar uma continuidade material entre a Terra e o resto do Universo significa mudar a própria ideia que temos da Terra. A Terra é um corpo celeste e tudo nela é céu. O mundo humano não é a excepção de um universo não humano; a nossa existência, os nossos gestos, a nossa cultura, a nossa linguagem e as nossas aparências são em tudo celestes."

E. Coccia

 

Fotografias: filme 35mm, 2011

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sobre ontem

 

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(entre anemonas e muitos  narcisos em floração, também se encontram ainda margaridas e, a mais recente, romulea bulbocodium)

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1. Himantoglossum robertianum

2. Anemone palmata

3. Narcissus bulbocodium

4. Hyacinthoides hispanica 

5. Ophrys fusca

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" Se somos as flores do mundo, não é por nunca pararmos de reconfigurar a sua substância, mas porque nunca lhe escapamos. Estar no mundo, significa, acima de tudo, estar exposto a este ritmo de transformação de que nem a morte nos pode libertar.  Permaneceremos do mundo - harmonizados com todas as suas formas - mesmo quando estivermos mortos. Nunca deixaremos de o atravessar e de ser por ele atravessados. Nunca deixaremos de ser mundo. A nossa identidade coincidirá sempre com a sua substância, seja ela acentuação, máscara ou harmonia.' 

E. Coccia