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limbos verdes

limbos verdes

depois das nuvens

 

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1. Himantoglossum robertianum

2. Bellis perennis

3. Ulex europaeus

4. Erophaca baetica

5. Calendula arvensis

6.  Lonicera etrusca [começam a surgir os primeiros rebentos]

7. Lonicera etrusca [ em floração 2018]

8. Romulea bulbocodium [ as primeiras de 2021!] 

9. Euphorbia characias [começam a desenvolver a estrutura floral]

10. Cistus ladanifer [ a primeira esteva branca de 2021]

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ou o pelotão de soldados

 

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Apesar de ter vivido toda a minha infância e adolescência perto delas, e com idas regulares ao campo - não tão atentas como as de hoje, é verdade-, só em 2019, alguns anos depois de ter regressado à vida rural, descobri esta orquídea silvestre. Portanto, neste início de 2021 estou a dar pela presença delas pelo terceiro ano consecutivo, e é cada vez mais fascinante.

A divulgação deste grupo de plantas - orquídeas silvestres europeias -, onde 'a gigante das orquídeas' se inclui, é fundamental para a sua preservação. Sem conhecimento não há consciência, e sem consciência é muito difícil preservar os habitats frágeis onde vivem. Tanto este género como outros, deste grupo, são raros. Devido ao tipo de agricultura praticado, com uso de maquinaria, adubos, herbicidas, é impossível a sua sobrevivência. Alguns países europeus iniciaram a proteção ativa destas plantas incríveis, com legislação especifica no sentido de conservar as condições que tornam possível o seu crescimento. Entre eles: Malta, Espanha, França - neste último caso com resultados visíveis, tendo a população de Himantoglossum robertianum  aumentado  de forma significativa. Por cá, há muito por fazer. Por tudo isto, não divulgo os locais exatos onde vivem. Os admiradores de orquídeas silvestres não lhes farão mal, mas muitos outros poderão arrancar plantas para tentar cultiva-las em casa, condenando-as, assim, à morte.

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As flores, pela estrutura ou pelas cores que trazem, despertam a nossa imaginação de forma distinta, cada uma delas. Esta, em particular,  cresce e entra em floração nos dias frios de inverno e é a primeira de todas as outras orquídeas silvestres. Depois do período seco do outono, em que plantas e flores murcham e, muitas delas, libertam as sementes para que as plantas do próximo ano possam nascer, os tons do campo redescobrem o verde, lentamente, à medida que a humidade aumenta. As flores estão praticamente ausentes neste período.  Esta exuberante orquídea é, então, uma das primeiras plantas a florir nesta altura - os narcisos, por exemplo, são uma das poucas exceções. Cresce no cimo da serra,  virada a oeste, exposta aos intensos ventos que vêm do mar - a cerca de 10kms daqui  .  Simboliza então, para mim, pela época em que se desenvolve, dimensão, forma e cor das flores: a coragem, a bravura. Vejo em cada pequena flor, das várias que a espiga carrega, um belo 'soldado fantasma', de capacete, sendo cada haste floral  um pelotão, de mais de 25 soldados, que vem abrir o caminho para todas as outras flores que virão depois, já com a temperatura mais elevada. 

(Na Alemanha é conhecida por Mastorchis,  a orquídea assustadora, mas a mim, estes soldados não assustam, garanto. Pelo contrário.)

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Himantoglossum robertianum 

Família

Orchidaceae

Família onde se incluem as orquídeas silvestres europeias. Plantas herbáceas vivazes, pois a parte subterrânea renova a parte aérea todos os anos, em princípio.
Orchis de origem grega significa testículo, devido à semelhança dos pseudo-tuberculos. 
Muitas delas, incrivelmente, desenvolvem feromonas e formas de corpos de aranhas, abelhas, vespas, besouros, ... para atrair os machos e facilitar a polinização. Falarei sobre  esta questão em particular mais para a frente, quando abordar o género Ophrys com mais detalhe. Este tipo de evolução é um dos melhores exemplos do conceito 'da mistura' que E. Coccia explora, no livro A Vida das Plantas, em que há uma comunicação intima entre plantas e animais.
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(Fotografias: 25/dez/20; 9/jan/21; 25/jan/21)

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Conhecida por orquídea gigante, é a maior das orquídeas silvestres europeias, vivaz - apesar de perder as folhas depois da floração e frutificação, mantém-se viva no solo - tubérculos. Pode atingir até 80cm de altura.

As folhas são grandes - 10cm largura por 30cm de comprimento- cor verde brilhante.

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(Fotografias da mesma planta: 28/dez/20; 13/jan/21)


A inflorescência é uma haste cilíndrica onde se desenvolvem as mais de 25 flores. Habitualmente, entra em floração em janeiro. Nesta época, iniciou a floração um mês antes - primeira avistada em 2020: 27jan; primeiras avistadas nesta época: 25dez. 


A flor, composta por uma bráctea verde com margens roxas. O perianto tem 6 tépalas, 3 externas e 3 internas. As primeiras em forma de capuz, roxas com veios verdes. Depois de fertilizada, com a ajuda de um polinizador, as partes do perianto caiem depois de murchar. As sementes iniciam processo de desenvolvimento no ovário interno, formando uma cápsula que libertará as sementes depois de madura. O sucesso da germinação das sementes é baixo, pois é complexo - para germinarem, as sementes precisam da presença de um fungo. 

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(Cápsulas depois da libertação das sementes, 2021. Fotografia anterior: o polinizador, 2019)

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(Encontro do escape floral de 2020 com o de 2021, desenvolvidos pelo mesmo tuberculo)

Sobre os diferentes géneros, de orquídeas silvestres, avistados em 2020: AQUI

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' Chega então o momento de parar e suspender todas as actividades. Um dos motivos é a água, que tem de estar no estado líquido para que a árvore possa trabalhar. Se o seu 'sangue' congela, então não há nada para ninguém. (...) 

Mas porque motivo, ao longo da evolução, não desenvolveram estas espécies [caducifólias] um revestimento mais grosso, bem como meios de proteção contra o gelo? Será que faz realmente sentido formar anualmente até um milhão de folhas novas por cada árvore, utilizá-las apenas um par de meses, para depois voltar laboriosamente a mandá-las fora? Ao que parece, a evolução respondeu afirmativamente a esta pergunta. (...) As árvores de folha caduca são por conseguinte , em termos comparativos, uma evolução moderna. [coniferas, folha persistente, existem há cerca de 170 milhões de anos, as árvores de folha caduca surgiram há cerca de 100 milhões de anos]' 

in A vida secreta das árvores, Peter Wohlleben

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29 Jan, 2021

abelhas (1)

 

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"Se não houver abelhas, não se dá 80% da polinização, não haverá alimentos para grande parte dos pássaros, insetos e outros animais, toda a cadeia alimentar sofre, os animais morrem. O ecossistema fica destruído." 

 in natgeo.pt

 

"Polinização é o ato da transferência de células reprodutivas masculinas (núcleos espermáticos) através dos grãos de pólen (espermatozoides das plantas) que estão localizados nas anteras de uma flor, para o receptor feminino (estigma) de outra flor (da mesma espécie), ou para o seu próprio" 

in wikipédia.pt 

família:

Amaryllidaceae

Plantas herbáceas, perenes, desenvolvem-se a partir de um bolbo e, nalguma casos, de rizoma. Inclui 73 generos e 1600 espécies.  

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Narcissus bulbocodium

 Campainhas amarelas

é o segundo narciso silvestre a crescer aqui à volta, nos locais de maior altitude e não cultivados, habitualmente.
Pequena planta com cerca de 15cm de altura, cresce a partir de um bolbo no período mais frio do ano, as folhas lembram grama - relva. 
As flores amarelas, solitárias e inclinadas, com uma coroa em forma de cone invertido (trombeta).
Vi-os em floração pela primeira vez em janeiro de 2016. Impressionou-me a quantidade e a forma da flor. Cada uma delas, habitualmente virada para o sol,  lembra, precisamente, um pequeno sol, com os raios atrás da coroa (tépalas). 

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O fruto - cápsula  elipsóide - contém as sementes.(fotografia acima)

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( todas as fotografias deste genero, narcissus b., são de 2020/21, excepto a última que é de 2017 e a de plano afastado, com inúmeras plantas, de 2018)

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Narcissus papyraceus

Narciso-da-serra, Narciso-de Constatinopola ou Narciso-de-inverno

Nesta zona - no concelho Torres Vedras- esta espécie  é a primeira a entrar em floração, final de novembro/ início de dezembro, poucas semanas antes do narciso referido anteriormente. Apesar de crescerem relativamente perto, o narcissus papyraceus costuma desenvolver-se numa altitude inferior.

Vi-os pela primeira vez em janeiro de 2019. (as duas fotografias acima)

Os caules atingem 30–45 cm de altura.

Cada escape floral desenvolve várias flores brancas, que nascem no topo de cada haste - multifloral- e são fortemente perfumadas

 

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